Homem branco, coração negro
Os dois leões comedores de homens que ficaram no imaginário africanista por terem morto dezenas de trabalhadores, no Quénia em 1890, afinal não estavam à altura da sua má fama, de acordo com uma investigação agora publicada nos Estados Unidos.
O engenheiro britânico John Henry Patterson, recrutado na época para abater os animais que aterrorizavam um estaleiro de obras na região de Tsavo no Quénia, tendo mesmo provocado a paralisia dos trabalhos de construção dos caminhos de ferro em 1898, afirmava que os leões tinham morto e comido 135 pessoas.
Mas a sociedade de caminhos de ferro, a Ugandan Railway Company, estimava apenas em 28 o número das suas vítimas.
A caçada de nove meses de Patterson foi objecto de inúmeras crónicas e inspirou vários filmes.
As peles dos animais foram vendidas ao museu Field de Chicago (Ilinóis) em 1924, depois de terem sido utilizadas bastante tempo como tapetes.
Agora, após analisar o pelo e os restos dos seus esqueletos, a National Academy of Sciences diz que a estimativa de mortes é mais próxima da difundida pela companhia de caminhos de ferro.
Os investigadores descobriram graças a uma análise com isótopos que um dos leões comeu 11 humanos e outro 24, ou seja 35 no total, nos últimos meses de vida.
A academia admite que os leões possam ter morto até 75 pessoas mas que não as comeram todas. De qualquer maneira, o número de 135 vítimas avançado por Patterson foi considerado exagerado.
Os resultados indicam que nos últimos meses do período que Patterson qualificou como «reino de terror», os leões tiveram uma dieta alimentar dividida em metade por seres humanos e gazelas ou impalas.


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