quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A bordo do Porta-Aviões "USS Harry Truman"

Verdadeiramente impressionante aterrar e levantar voo de um porta-aviões. Uma experiência inesquecível.

A bordo do Porta-Aviões "USS Harry Truman"


Com a GNR em Nassiriya, Iraque, 2005.





A tentar perceber como se vai para a Guarda Suíça do Papa.

Papa João Paulo II

Na única vez que fui ao Vaticano, por ocasião da visita do Presidente Jorge Sampaio, cheguei cedo e, enquanto aguardava, vejo passar diante de mim o Papa João Paulo II no seu "Papamobil" lendo um jornal desportivo a caminho do almoço!

"O Último Marechal"

A última entrevista de Costa Gomes em vida que efectuei para a TVI.


Segredos militares: Anthrax português para Angola


CARLOS ALBINO


Por pouco, Portugal não usou o anthrax para dizimar populações em Angola numa operação que chegou a ser designada informalmente por "solução final". A confirmação dessa operação foi feita pelo marechal Costa Gomes, numa entrevista concedida ao jornalista Sérgio Ribeiro Soares e divulgada pelas antenas da TVI em 18 de Março de 1997 e que foi de facto a última declaração de fundo do ex-presidente da República sobre a guerra colonial até à sua morte.
"Os africanos morreriam sem dó nem piedade", disse o marechal Costa Gomes instado por Sérgio Ribeiro Soares a descrever a iminência do recurso à guerra bacteriológica como forma de debelar a resistência armada angolana. "Mandei destruir essas armas em Luanda", disse ainda Costa Gomes assumindo que a tropa portuguesa, sob o seu comando, apenas usou desfolhantes na ex-colónia (o chamado "agente laranja"), além do napalm que fora utilizado no norte e na zona leste de Angola.
As declarações do marechal Costa Gomes, cuja cópia integral o DN obteve de fonte militar, mereceram três dias dias depois comentários notoriamente soft por parte de Pezarat Correia (um dos protagonistas de várias operações secretas do antigo regime particularmente em Angola, descritas de resto e insuspeitadamente pelo general Silva Cardoso).
As declarações de Costa Gomes passaram na altura despercebidas e sem gerar polémica, porquanto nos meios militares houve insistência em que "não se falasse mais nisso" e que "esse era um assunto para esquecer e do âmbito do segredo militar".
No entanto as declarações de Costa Gomes de 1997 ganham agora outro significado e provam pelo menos que o mesmo pó que está a espalhar o pânico nos EUA, pelo menos para os antigos senhores da guerra colonial portuguesa, não constitui qualquer novidade, estando pois os laboratórios portugueses desde há muito aptos a dominar a produção da bactéria e a prevenção das consequências desse tipo de guerra bacteriológica. Costa Goames apontou o dedo para "organismos dependentes do Ministério da Saúde, designadamente os laboratórios do Hospital Egas Moniz, como directamente ligados e responsáveis pela produção dos "caldos biológicos" com anthrax para fins militares.
"Esse micróbio foi escolhido porque os nossos soldados estavam imunes", explicou Costa Gomes garantindo que "quem fez pos caldos foi pessoal da metrópole" e que "em Angola não havia pessoal técnico preparado para produzir o carbúnculo".
O marechal testemunhou que quando chegou a Angola "não sabia que se estava a preparar uma guerra bacteriológica" e que ficou "surpreendidíssimo" quando tomou conhecimento do plano operacional, pronto a ser cumprido a partir de bases aéreas portuguesas na ex-colónia. "Sabia onde elas (as armas bacteriológicas) estavam depositadas e quem as poderia utilizar", garantiu Costa Gomes ao jornalista Sérgio Ribeiro Soares.
Costa Gomes deixou admitido que o governo de Lisboa de então teria conhecimento da operação. "É natural que soubesse", disse o marechal reafirmado que a preparação dos caldos bacteriológicos levados para Luanda e colocados à disposição dos militares foi feita em Lisboa ao mesmo tempo em que, na ocasião, os laboratórios portugueses já dominavam também as técnicas de vacinação contra essa bactéria. "Sabíamos que a doença era endémica em Portugal, particularmente no Norte do País e que (após a vacina) os nossos soldados estavam imunes contrariamente aos africanos".
Registe-se que técnicos portugueses tiveram participação activa na descoberta da vacina contra o anthrax, bactéria sucedânea nos seres humanos quando contaminados pelo carbúnculo.